sexta-feira, 1 de junho de 2012

- retalhos


Eu descobri que mudei.

Não, não foi de caso pensado, fui me deixando levar pelos dias afora, e ao me olhar no espelho percebi que já não era a mesma. Algo se tornou diferente em mim, e ainda não sei como isso aconteceu. Me pergunto o que é capaz de nos transformar a ponto de ficarmos irreconhecíveis aos olhos de alguns.
Então, resolvi fazer uma lista de fatos de minha vida, e como retalhos, fui tentando juntá-los, na esperança de me encontrar.

E descobri que nunca me perdi.
Eu ainda era eu, mas dentro desse eu, modifiquei pequenos detalhes de meus dias, de meu EU. Não sei se foram as tempestades, o frio, a escuridão pelas quais passei em certas noites, onde em lágrimas quase me afoguei. Ou talvez os dias de sol, de mar e barquinho a navegar, onde em sorrisos me fiz. E quem sabe este caminho que tenho percorrido, e as pessoas que tenho encontrado, e o que tenho ouvido, e o que tenho dito, que eu disse, que eu jamais diria.
E descobri que todos os dias fui mudando, e que todos esses retalhos me fizeram um lindo cobertor ...
Um cobertor de sonhos, assim, bem novinhos, saídos do forno das mudanças. E ele me aquecerá quando vierem as noites de tempestade, e talvez as lágrimas ele possa absorver. E me servirá de cama, onde me deitarei sob o sol, e os risos ele com certeza absorverá.
E neste caminho, ele se tornará cada dia maior, até que eu já nem lembre mais onde ele começa. E eu sei que corro o risco de não gostar de alguns dos retalhos, porque serão pedaços do que eu queria inteiro ainda. Mas com o tempo, eu mudarei, e o que ontem me foi tecido fino mal me servirá de pano de chão. E eu descobrirei que é isso que faz a vida ser linda e valer a pena. 

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